segunda-feira, 9 de julho de 2007

Novamente, DOGVILLE

Recebi de uma amiga um convite para ler uma resenha de sua autoria sobre nada mais nada menos que Dogville. É claro que não resisti e, atribuindo os devidos créditos, posto-a aqui. Quem sabe Jana, Jaque e outros amigos que ainda não viram essa obra fenômenal se encorajam?
Não quero ser repetitiva, mas é que não quero privar meus amigo do que é bom! :))
PS: Semestre passado sugeri o filme para a professora de estudos da significação em língua inglesa. A turma inteira teve que assistí-lo para fazer uma provinha boba, valendo 25 pts. Quase me linxaram... hihihihihi
Bem, aí vai a resenha da guria, que exprime perfeitamente as sensações humanas após assimilar a mensagem de Von Trier:

Em todos os momentos de nossa vida há coisas que nos tocam profundamente e outras que “passam batidas”. O filme Dogville se encaixa no primeiro caso. No que diz respeito a mim, pelo menos. É provocativo, inquietante, dolorido. Quem não se levanta e sai do cinema, nos seus primeiros quinze minutos, está irremediavelmente preso até o final.Misto de inocência, credulidade, servidão, passividade, tirania e crueldade, Dogville assalta e toma o espectador sem dar-lhe chance de defesa. Particularmente, fiquei sem chão, saí zonza do cinema, sentindo uma coisa estranha. Pensando no quanto as pessoas podem ser hipócritas e cruéis, e ainda assim parecerem boazinhas aos olhos do mundo; no quanto nos deixamos manipular e explorar em troca de “contas coloridas”; no quanto permitimos prostituir nossos sonhos, nossa vida toda.Cruel demais a cena em que Grace é violentada pela primeira vez, entre as quatro paredes de um “lar”, enquanto a vida segue do lado de fora da porta. A vida medíocre, nojentamente ordenada, obedecendo a rituais cotidianos bestas, alienantes.Ouvi críticas a respeito do cenário e do tempo de duração do filme e tenho cá minhas idéias. Creio que Lars von Trier fez tudo de caso pensado: um cenário que permitia ver a tudo e a todos ao mesmo tempo, com a preciosa ajuda de um narrador onisciente e debochado, lembra nossa fragilidade diante da responsabilidade que temos uns com os outros. Quanto ao tempo de duração do filme, é isso mesmo, metáfora clara do quanto os dias podem ser lentos e pesarosos, nos empurrando para dentro de um labirinto onde podemos ficar presos para sempre, fazendo concessões em troca de instantes fugazes de pequenas alegrias. Revoltante! Muito revoltante!

Guria Ana Maria
Publicado no Recanto das Letras em 30/06/2007Código do texto: T547438

2 comentários:

Osc@r Luiz disse...

HUmmm...
Vou ter que assistir ao filme tão recomendado pra depois opinar...
Por hora vim desejar uma boa noite e agradecer o link na sua tão seleta lista.
Muito obrigado!
Um beijo!

As partes interessadas disse...

Humm, tá, bom o texto dela. Eu já queria ver Dogville, estive no cinema umas duas vezes para vê-lo, mas sempre houve coincidência de ser depois dum dia muito estressante de trabalho.
- Ai, não, não tô a fim de pensar, quero rir...
- Tá, então vamo ver aquele outro ali.
Sacou? É assim que acontece. Diversão se casa com estado de espírito.
Mas ainda vou vê-lo, sim, pode apostar.
E, de novo, muito bem escreita a crítica da sua amiga.
Bjo.